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As lutas do povo chileno pelas lentes do cineasta Carlos Pronzato

O argentino Carlos Pronzato vive há décadas na cidade de Salvador (BA), onde produziu mais de 70 filmes, a maioria documentários, sobre a história da América Latina e as lutas dos povos do continente. Sua prolífica carreira teve início em 1999 com um curta ficcional sobre Canudos e logo deu origem à produtora La Mestiza Audiovisual.


Nascido na cidade de Buenos Aires em 1959, Carlos começou a estudar em seu país natal antes de empreender uma viagem pela América, a partir do México, que terminou 6 anos depois na Bahia. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato RS, o cineasta afirmou que foi um momento “de vivências em diversos ofícios e aprendizados”. Na capital baiana, formou-se em direção teatral.


Salvador foi tema de seu primeiro documentário, Maio Baiano (2001), que retratou as grandes mobilizações na cidade contra Antônio Carlos Magalhães depois do “Escândalo do Painel”. Os atos de rua culminaram na renúncia de ACM à sua cadeira no Senado Federal. Pronzato, ao longo de sua carreira, abordou muitos outros temas, do Brasil e de países vizinhos.


Destacam-se obras sobre a Greve Geral de 1917, as Jornadas de Junho, a vida de Carlos Marighella, a morte de Che Guevara na Bolívia, a luta da mães da Praça de Maio na Argentina, a batalha contra a privatização da água boliviana, entre muitos outros temas. A maioria dos documentários de Carlos Pronzato podem ser adquiridos no site http://www.lamestizaaudiovisual.com.br e alguns dos filmes estão inteiros no Youtube.


Para Pronzato, o papel de seus documentários é agir como espaços de memória e resistência. “Às vezes, a abordagem de um tema esquecido ou pouco divulgado faz renascer experiências de lutas operárias, camponesas, estudantis, que impulsionam os processos atuais e considero esse o principal elemento de resguardo e utilização da memória. Principalmente nestes tempos políticos sombrios em que há uma tentativa impulsada desde as três esferas do governo federal de destituir a História da realidade dos fatos e criar novas narrativas fantasiosas para iludir milhões de pessoas, onde as mentiras oficiais chegam até a propor que nem a ditadura militar existiu, dentre tantas outras barbaridades”, comentou em entrevista ao Brasil de Fato RS. 


Chile

Laboratório do neoliberalismo na América e no mundo, o Chile foi retratado em diversos filmes do cineasta justamente pelo papel paradoxal do país, tanto nos ataques aos direitos sociais, quanto pela lutas populares vanguardistas e de massa. O jornal Voz Docente separou 4 filmes de Pronzato sobre o Chile para serem assistidos no isolamento social.


Buscando a Allende

Lançado em Santiago no ano de 2008, durante as celebrações do centenário de nascimento de Salvador Allende, o filme busca fazer um balanço do que foi o governo do presidente socialista no país e de quais foram as razões que levaram ao Golpe de Estado de 11 de setembro de 1973.


Pronzato inicia o filme questionando onde, de fato, nasceu Salvador Allende. Santiago ou Valparaíso? A partir daí, começa a entrevistar pessoas que o conheceram, que trabalharam em seu governo ou que militaram pela Unidade Popular (UP). 


Com “Buscando a Allende” o cineasta procura analisar o que deu certo e o que deu errado na “via chilena” do socialismo, um dos poucos projetos políticos de esquerda radical que teve início com uma vitória eleitoral, mas que rapidamente foi derrotado pela reação da direita e deu lugar a anos de ditadura de Augusto Pinochet. 


A Rebelião dos Pinguins

Muito popular no movimento estudantil brasileiro, o filme A Rebelião dos Pinguins (2007) aborda a luta dos estudantes chilenos contra o sistema deixado pela ditadura de Pinochet no sistema educacional do país. A partir da onda de ocupações de escolas do ano de 2006, Pronzato retrata os problemas chilenos muitas vezes deixados de lado na imprensa hegemônica.


A educação foi alvo prioritário das reformas neoliberais da ditadura chilena. Seu sistema foi muito precarizado e toda a educação superior foi privatizada, o que acabou levando a um enorme endividamento dos estudantes chilenos que quiseram entrar na universidade. Essa foi a razão que levou mais de um milhão de pinguins (os estudantes da rede básica, em referência aos uniformes que lembram o pássaro) a iniciar as mobilizações naquele ano.


Quase 15 anos depois, o problema não só não foi resolvido, como a situação da educação chilena piorou. Outras ondas de mobilizações ocorreram no país e “derrubar a educação de Pinochet” segue sendo uma palavra de ordem em voga por lá. 


Mapuches, un pueblo contra el Estado

No documentário de 2010, Carlos Pronzato vai até o território Mapuche de Walmapu, no Chile. A etnia, que vive na região andina, tanto do lado ocidental quanto no que hoje é a Argentina, tem uma das maiores populações indígenas do continente e segue lutando por suas terras e pela sobrevivência. 


Os territórios de Walmapu foram submetidos ao domínio chileno e argentino no final do século XIX. A luta dos mapuches é pelo direito à auto-gestão de suas terras, em contraponto às sucessivas tentativas de uso por empresas transnacionais, em conivência com o poder público. Pronzato denuncia, em seu filme, as violações dos direitos humanos do povo mapuche, perseguido politicamente pelo Estado chileno. 


Piñera, a guerra contra Chile

Lançamento mais recente do documentarista, o filme de 2020 mostra a situação atual do Chile, em especial após a onda de protestos do final de 2019 contra os muitos resquícios da ditadura pinochetista no país. 


Tudo começou quando as passagens de metrô de Santiago aumentaram 30 pesos, e logo os protestos se espalharam pelo país, amplificando as revoltas contra a desigualdade social fruto de décadas de neoliberalismo. “Não é por 30 pesos, é por 30 anos”, era a palavra de ordem dos manifestantes. 


Em meio às manifestações, o presidente Sebastián Piñera declarou que o país “estava em guerra contra um inimigo poderoso”. Em seguida, decretou o estado de emergência e chamou os militares para reprimir a população. “Causou uma forte impressão num país que sofreu um dos piores e mais sangrentos golpes de estado (1973) com o bombardeio de La Moneda. Porém, os tanques saíram rapidamente de cena, permanecendo o controle da comoção social sob as balas, o gás lacrimogêneo e a crueldade dos Carabineros de Chile, corporação odiada e enfrentada a peito aberto pela população nas ruas”, comenta o diretor, em texto publicado pelo Sindicato dos Bancários da Bahia. Ao final dos protestos, houve mais de 30 mortos e 2500 presos políticos, foram os milhares feridos. 


Matéria originalmente publicada no Jornal Voz Docente. Imagens de CELAG e Telesur. 



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