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Entrevista sobre uso de máscaras durante a pandemia de Covid-19

A servidora técnica-administrativa da Faculdade de Enfermagem da UFPel, Ana Amália Torres, concedeu uma entrevista à ADUFPel sobre a utilização adequada de máscaras durante a pandemia de Coronavírus (Covid-19). A enfermeira também integra o grupo que tem realizado, desde março, capacitações sobre Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) nas cinco Unidades Básicas de Saúde vinculadas à UFPel. As capacitações são direcionadas a profissionais da atenção primária em saúde: médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários. 


Confira a entrevista na íntegra:


Para que servem as máscaras e quem deve usar? Que tipo de máscara é mais recomendado para casos de Coronavírus e para profissionais da saúde? 

Dentre as ações propostas para prevenção do Covid-19, destaca-se a utilização adequada dos Equipamentos de Proteção Individual, entre eles o uso de máscara como barreira de proteção. A pandemia do Covid- 19 é causada pelo Coronavírus, que foi identificado pela primeira vez na China no ano de 2019. Situação muito grave enfrentada pela população mundial. O Coronavírus causa uma doença respiratória que se espalha rapidamente porque tem como forma de contágio a transmissão entre pessoas por meio de gotículas que são expelidas durante a fala, tosse ou espirro, e por contato com a superfície contaminada.  Essas gotículas são capazes de se deslocar em até um metro de distância quando falamos tossimos ou espirramos. Elas se depositam sobre os objetos como mesas cadeiras, bancos de ônibus, prateleiras de supermercados, ou seja, em todo o ambiente, e passam para as mãos quando tocamos esses lugares. Algumas pessoas estão contaminadas pelo Coronavírus e não têm sintomas, já outras têm sintomas semelhantes a de uma gripe ou resfriado, como febre, tosse, dores no corpo, mal-estar dor de cabeça e dor de garganta. Ainda, um grupo desenvolve a forma grave da doença com insuficiência respiratória, necessitando de internação hospitalar. Mesmo se propagando rapidamente, algumas medidas podem ajudar a população em relação à prevenção. 

Neste contexto a utilização de máscara se faz de fundamental importância desde que utilizada corretamente, dado suas especificidades. As máscaras por sua vez são a forma de barreira física para conter as gotículas que são expelidas durante a fala, tosse ou espirro. O mercado disponibiliza vários tipos de máscaras sendo as mais utilizadas na área de saúde as máscaras cirúrgica e a N95, também conhecida como bico de pato, similares como a máscara PFF2, que é um protetor facial filtrante, e outras que são confeccionadas em materiais diferentes e têm portanto diferentes funções.

É importante destacar que o Ministério da Saúde recomenda a não utilização de máscaras pela população em geral,  exceto nos casos em que a pessoa esteja tossindo ou espirrando ou esteja prestando cuidado a outra pessoa com doenças respiratórias, e no caso de pessoas com suspeita de Covid-19 ou com diagnóstico confirmado. Lembrando que em decorrência da pandemia os materiais e principalmente as máscaras estão escassos no mercado e desta forma é preciso conscientização para que os profissionais e as pessoas que realmente precisam não fiquem sem.


Em vários países, inclusive no Brasil, há pessoas usando máscaras improvisadas, feitas de sacolas plásticas, de tecido, etc. Esses materiais realmente protegem e tem alguma comprovação científica a respeito do uso?

Existem máscaras confeccionadas em tecidos, as quais não devem ser utilizadas por profissionais da saúde, por não oferecerem filtração bacteriológica e por não serem resistentes à penetração de fluídos. Já as máscaras cirúrgicas são confeccionadas em TNT para uso odonto-médico-hospitalar e possuem camadas interna e externa e também um elemento filtrante. O TNT para uso odonto-médico-hospitalar em combinação com o elemento filtrante, tem eficiência de 95% na filtração bacteriológica por ser  resistente à penetração de fluidos transportados pelo ar. Destaca-se que para confecção de máscaras para o uso hospitalar é fundamental a utilização do material correto, que é o tecido não-tecido, o TNT, para uso odonto-médico-hospitalar, pois o TNT utilizado para fabricação não é o mesmo comercializado em lojas de tecidos e aviamentos. E, além disso, para o uso nos serviços de saúde as máscaras devem passar por um processo de desinfecção antes do uso pelos profissionais. As máscaras N95 tem capacidade filtrante, ou seja, são capazes de capturar pelo filtro partículas não biológicas e de microrganismos na forma de aerossóis.  Possuem de 94 a 95% de eficiência de filtração de partículas maiores que 0,3 micra, e seu uso é indicado visando a proteção contra doenças por transmissão aérea e são de uso individual. Estas informações são de grande relevância para a população que está engajada em contribuir com os profissionais de saúde e também com os serviços de saúde na produção caseira de máscaras.  


Como as máscaras devem ser utilizadas? Pode lavar a máscara e usá-la novamente? Como deve ser feito o descarte?

As máscaras cirúrgicas são de uso individual e único, devendo ser descartadas após uso e retiradas da face sem encostar a parte externa da máscara, para que as mãos não sejam contaminadas. O Ministério da Saúde, na nota técnica 05 de 2020, indica que, excepcionalmente, em situações de carência de insumos para atender a demanda da pandemia do Covid-19, a máscara N95 ou equivalente poderá ser reutilizada pelo mesmo profissional desde que cumpridos os passos obrigatórios para retirada da máscara, sem a contaminação do seu interior. Com o objetivo de minimizar a contaminação da máscara N95 ou equivalente, se houver disponibilidade, pode ser usado um protetor facial. Se a máscara estiver íntegra, limpa e seca, poderá ser usada várias vezes durante o mesmo plantão, pelo mesmo profissional, até 12 horas ou conforme definido pela CCIH, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Para remoção da máscara, retire-a pelos elásticos com bastante cuidado para não tocar na superfície interna, e o acondicionamento deve ser realizado em um saco ou envelope de papel com os elásticos para fora, para facilitar a retirada da máscara. A máscara já utilizada não deve ser colocada em saco plástico pois ela poderá ficar úmida e potencialmente contaminada. Independente do tipo de máscara, elas precisam ficar adaptadas ao rosto de forma a ficar totalmente vedadas. Recomenda-se que os profissionais da saúde não usem barbas, pois impossibilita a adaptação da máscara ao rosto, diminuindo a sua capacidade de proteção. 


O presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde e outros integrantes do governo apareceram em entrevistas usando máscaras de proteção. Como avalias o uso da máscara por eles, mais especificamente Bolsonaro, que retirou e mexeu diversas vezes nela? E como analisas o posicionamento do governo frente às medidas de prevenção, sendo até mesmo contrário ao isolamento social? 

Há de se considerar que a evolução da pandemia no Brasil é muito preocupante e que as estratégias de prevenção da disseminação desse vírus devem ser prioridade nesse momento. Assim como o isolamento social, as medidas preventivas e o uso racional e adequado dos EPIs servem para que, a meu ver, na melhor das hipóteses, consigamos minimizar o colapso do sistema de saúde. No entanto, não é isso que a gente tem observado. Informações e ações divergentes dessa perspectiva vêm sendo demonstradas pelo governo. Se torna difícil até comentar o uso de máscara pelo presidente e também por outras autoridades, lembrando que o uso adequado é o que realmente vai fazer a diferença. E, por tantas pessoas estarem usando inadequadamente, se torna pior, porque ao invés de proteger, se torna uma fonte maior de transmissão. A gente está tendo escassez no comércio e deixando faltar para quem realmente precisaria usar. Então é muito difícil de comentar essa situação, até mesmo porque ela é muito incoerente.


Assessoria ADUFPel


Imagens: Arquivo pessoal e Freepik

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