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Faculdade de Educação da UFPel luta contra a precarização do trabalho e presta solidariedade aos/às terceirizados/as

A comunidade acadêmica da UFPel, constituída por docentes, técnico/a-administrativos/as e estudantes, uniu forças, na tarde desta quinta-feira (22), para defender a educação pública, protestar contra a precarização do trabalho e da formação e prestar solidariedade aos/às trabalhadores/as terceirizados/as, principais atingidos pelas medidas resultantes dos cortes orçamentários efetuados pelo governo federal. O ato ocorreu no saguão do Campus das Ciências Humanas e Sociais (CCS) e foi organizado pela Faculdade de Educação (FAE).


Entre cartazes, faixas e pausas para a intervenção artística do músico Duglas Bessa e da cantora Teresa Ferlauto, servidores e discentes manifestaram-se contra as questões que afetam duramente a Universidade e a educação gratuita e de qualidade.  


Segundo a diretora da ADUFPel, Celeste Pereira, “esse momento de luta serve para mostrar para a sociedade como um todo que a educação precisa ser tratada de forma justa e com olhar próprio, para que a gente tenha a possibilidade de fazer com que as pessoas tenham um espaço para voar, para soltar a imaginação, para crescer, para construir e para mudar o mundo”. 


Ainda reforçou que a educação tem sofrido ataques diários que colocam em risco, paulatinamente, um conjunto de avanços conquistados com muita luta. Dentre essas medidas que contribuem para a sua destruição, citou o Reuni Digital, o teletrabalho e a modalidade de Ensino a Distância. 


Situação da FAE

Os sucessivos cortes orçamentários constituem-se como uma ameaça à manutenção das atividades na UFPel e foram determinantes para que a administração central tomasse uma série de ações que impedem o pleno funcionamento das unidades acadêmicas. Conforme alertou o diretor da Faculdade de Educação, Álvaro Luiz Moreira Hypolito, a comunidade reconhece os efeitos que os cortes têm sob a Universidade, mas compreende que é necessária melhor comunicação com a Reitoria para que se estabeleça, de forma mais criteriosa, quais são as demandas e as necessidades de cada uma.


“Os cortes que as unidades acadêmicas tiveram não foram bem transparentes, do nosso ponto de vista. Foi retirada uma portaria muito importante para o funcionamento desse prédio, que é a do segundo andar, as nossas salas de aula não estão com condições de bom funcionamento e não temos acesso à internet. É sobre essa precarização que nós queremos poder dialogar melhor com a Universidade”, apontou. 


 A portaria do segundo andar foi fechada durante a pandemia, mas com a promessa de que seria reaberta quando houvesse o retorno presencial. No entanto, isso não aconteceu e tem impactado de forma negativa na rotina de trabalho dos/as servidores/as e no funcionamento do prédio, já que o espaço abriga três institutos. 


Servidores/as e alunos também reivindicam melhoria nas condições de trabalho dos/as terceirizados/as e prestam solidariedade às expressivas demissões. Para isso, vem coletando assinaturas em um abaixo-assinado que será entregue à administração da UFPel (acesse aqui).


A estudante Rosangela Karpinski Odorizzi, que cursa o terceiro semestre de Pedagogia, avaliou que há um descaso em relação à situação vivenciada pelo Campus. “Os cortes, sem dúvida, afetam a Universidade e a qualidade do nosso ensino. Eu sou bolsista, também, e faço parte do auxílio-moradia e esse novo corte afeta a nossa permanência enquanto estudante. Está sendo bem complicado”. 


Rogéria Garcia, técnica-administrativa da FAE, atentou que a política de demissão dos/as terceirizados/as deve ser vista como um dos pontos mais importantes dentro do assunto que engloba a precarização do trabalho e do ensino. “Quando não temos o setor de portaria, não se conseguem ser entregues materiais como o data show, notebooks ou próprio material do expediente dos professores. Não conseguimos ter o atendimento dos alunos, de entrega de chaves para portas, não temos também o setor de informações”. 


Segundo ela, a cada início semana de trabalho novas demissões ocorrem. Situação que, conforme salienta, onera física e emocionalmente esses trabalhadores que já são precarizados pela própria terceirização. “Eles são invisibilizados dentro da Universidade. Eles não têm voz. Eles não têm direitos. Eles só têm medo. O que a gente pode dizer é que os trabalhadores terceirizados têm medo de perder o emprego e se submetem a condições desumanas. Isso é inadmissível dentro de uma universidade federal, dentro do serviço público e para quem se diz progressista, se diz democrático e se diz trabalhador dos direitos humanos. Não podemos compactuar mais com essa política de demissão toda vez que há necessidade de redução de custos - como a universidade tem tratado a educação, como custo”. 


Orçamento da UFPel

O valor de custeio atual da Universidade, utilizado para despesas básicas e contratos de terceirização, é 26,45% menor em comparação com 2019, e os mais recentes cortes atingem 6,12% dele. Além disso, os contratos terceirizados absorvem mais de R$ 30 milhões do orçamento anualmente, o que equivale a aproximadamente 45% do custeio.


Segundo o pró-reitor Administrativo, Ricardo Hartlebem Peter, os cortes foram o fator determinante para essa decisão e prevê, até outubro de 2022, que a instituição estará com 21,37% de trabalhadores/as terceirizados/as a menos que dezembro de 2019, considerando que um novo contrato iniciará nessa data.


Assessoria ADUFPel


Fotos: Assessoria ADUFPel

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