ADUFPEL - Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas

Logo e Menu de Navegação

Andes Sindicato Nacional
A- A+

Not��cia

Pesquisa da UFPel revela impacto da pandemia na saúde mental de profissionais da Enfermagem de Pelotas

noticia

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Faculdade de Enfermagem da UFPel deu início, no mês de junho, à pesquisa “Avaliação do Impacto da pandemia de COVID-19 na saúde mental dos trabalhadores da Enfermagem na rede de serviços de saúde de Pelotas”. O estudo, que coletou dados por dois meses, está em análise quantitativa e já apresenta os primeiros resultados.


A pesquisa é realizada e supervisionada por docentes e estudantes do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf), sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), que contemplou, através de um edital específico para estudos na área da Covid-19, 36 propostas das 215 inscritas. Cinco delas foram da UFPel. 


Sob a coordenação geral da professora Luciane Prado Kantorski, a pesquisa objetiva estimar a prevalência e os fatores determinantes de sintomas de depressão e ansiedade em profissionais de Enfermagem, durante o período de atuação na linha de frente da pandemia em Pelotas. A coleta de dados foi realizada on-line, via questionário enviado a 1.186 trabalhadores do município. Destes, 890 responderam, o que levou a uma mostra de 76% do total. 


Foram ouvidos profissionais que trabalham nos seguintes serviços: Hospital Escola, Hospital São Francisco, Pronto socorro, SAMU, Unidade Básica de Atendimento Imediato (UBAI), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), setores de telessaúde, vigilância e regulação. 


Ainda em andamento, o estudo prevê, após a etapa quantitativa, uma análise qualitativa dos dados coletados. Este segundo passo ainda não começou a ser desenvolvido por conta de restrições impostas pela pandemia. A previsão, segundo Kantorski, é de usar, na próxima etapa, a metodologia chamada “Painel de Especialistas”, que compreende a análise realizada por um grupo de especialistas no assunto. Nesse processo, estarão presentes enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem, além de coordenadores e gestores, que trabalham diretamente com as questões da categoria. 


“A ideia é que a gente possa olhar para esses dados e ver o que são os determinantes ambientais, sociais, de exposição para esses trabalhadores, avaliar a distribuição desigual desse impacto na saúde e criar um processo de participação das partes interessadas, de modo que a gente possa identificar os principais fatores de impacto. Que a gente veja o que isso tem a ver com o processo de trabalho e que a gente possa constituir um protocolo, um conjunto de recomendações de boas práticas, que contribuam para prevenir esses problemas que impactam na saúde mental desses trabalhadores”, explica Luciane. 


Principais dados já coletados

Os dados colhidos a partir da aplicação da pesquisa, em junho e julho, segundo Kantorski, apesar de preliminares, mostram-se bastante significativos e dão um panorama sobre a situação desses profissionais da saúde na cidade. Confira no quadro abaixo:



Resultados expõem as condições precárias de trabalho

Luciane defende que este é um estudo importante para entender o contexto dos trabalhadores da Enfermagem e reflete as condições e lutas que a categoria tem travado nos últimos tempos, referentes à jornada, à falta de regulamentação, ausência de piso mínimo, entre outras. Isso, conforme salienta, leva esses trabalhadores, em sua maioria mulheres, a se submeter a jornadas longas e exaustivas e a ter outros empregos para complementar a renda, fatores que impactam na saúde física e mental dessas pessoas. 


Essas reivindicações, conforme ressalta a docente, são questões que ultrapassam o governo Bolsonaro e são históricas. “Nós estamos há mais de 20 anos lutando para ter um piso mínimo da categoria de enfermeiros e técnicos de Enfermagem, lutando para ter as 30 horas. Decorre disso que os trabalhadores têm que ter dois ou três empregos para poder ter alguma condição de vida, não sofrer privações”. 


No entanto, ela reforça que a situação precária se agravou nos últimos anos e principalmente por conta das medidas tomadas pelo governo federal em relação à pandemia. Ela destaca problemas como a privação da informação sobre Covid-19 no país e o descrédito da ciência. Luciane também aponta outras questões problemáticas, como a disputa da narrativa da defesa econômica, do emprego e em favor de que não se faça o isolamento. Esses fatores, para ela, impactam e determinam, inclusive, o curso da pandemia no país.


“Tem os estudos que mostram como determinadas medicações não são efetivas no tratamento da Covid e todo um esforço mundial para produzir a vacina. E, no nosso país, a gente tem uma propagação por pessoas do governo de medicações que não funcionam, um estímulo a não fazer vacina caso ela venha. Então, nós temos coisas muito complicadas do ponto de vista de poder conter o agravamento ou pelo menos minimizar ou mitigar esses efeitos da pandemia”. 


Para ela, a precarização do trabalho é acentuada neste contexto atual, em que há falta de investimentos em saúde, aumento do desemprego e Reformas que retiram direitos já conquistados. “É óbvio que esse contexto todo impacta, e muito, no trabalho de Enfermagem, considerando que é um trabalho que está na linha de frente e que precisa de suporte. Os trabalhadores de Enfermagem precisam mais que aplausos, precisam de condições dignas para trabalhar e para poder cumprir esse papel neste momento”. 


Importância da pesquisa

Para além da produção acadêmica, Kantorski conta que esses dados devem gerar um relatório que será encaminhado aos gestores municipais, já que apresentam um diagnóstico de uma situação ainda muito pouco conhecida por todos e de emergência humanitária. 


Conforme conta, uma análise mais aprofundada desses dados é fundamental para identificar como proporcionar ambientes de trabalho mais seguros e oferecer mecanismos de proteção, assim prevenindo situações de agravamento de sintomas em saúde mental. “Ele é importante, do ponto de vista acadêmico, porque todo esse conhecimento que têm sido produzido sobre Covid-19 é um conhecimento muito novo cientificamente, e, também, ele é muito importante porque é um conhecimento que tem uma capacidade de ter um impacto muito rápido na realidade para pensar os processos de trabalho e cuidado”. 


Assessoria ADUFPel

Veja Também

  • relacionada

    CORREÇÃO: ADUFPel realiza reunião conjunta de GTPE e GTPCEGDS no dia 3/12

  • relacionada

    Acesse mapa com todas as instituições de ensino sob intervenção de Bolsonaro

  • relacionada

    Ouça no Viração entrevista sobre o Apagão no Amapá

  • relacionada

    ANDES-SN debate estratégia de luta contra intervenções

  • relacionada

    Comitê da UFPel demonstra preocupação com avanço da Covid na região

  • relacionada

    Para defender intervenções, governo afirma que Universidades Federais não são independente...

Newsletter

Deixe seu e-mail e receba novidades.