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Projeto da UFPel leva leitura para dentro do Presídio Regional

Cumprindo seu papel social, a Universidade Federal de Pelotas está presente em diversos rincões do Rio Grande do Sul, não apenas com prédios e aulas formais, mas também com uma série de projetos de extensão. Um deles é responsável por levar o hábito e a prática da leitura para dentro dos muros do Presídio Regional de Pelotas.


Coordenado por Luciana Iost Vinhas, docente de Língua Portuguesa e Linguística da UFPel, o projeto "Remição de pena através da prática de leitura no Presídio Regional de Pelotas" busca proporcionar aos apenados e às apenadas a possibilidade de diminuição de suas penas a partir da leitura e do debate de livros. Luciana conta que a ideia é antiga, baseada no que desenvolveu no doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), quando investigou a relação entre corpo e subjetividade a partir da fala de mulheres presas. Mas, foi somente anos depois, já como docente da UFPel, que ela colocou em prática sua proposta de levar a extensão para dentro de uma penitenciária. 


“Eu sentia a necessidade de fazer um trabalho de extensão, e não somente de pesquisa, dentro da penitenciária. Estar atuando dentro da penitenciária é algo significativo dessa relação que é essencial para o funcionamento da universidade pública”, afirma a professora. Em 2019, a docente se sentiu em condições de iniciar o projeto, que só foi institucionalizado na UFPel depois da realização de conversas com o Presídio e com o Conselho da Comunidade de Execução Penal de Pelotas. Em julho de 2019, teve início, de fato, o projeto de extensão.


Como funcionam as leituras

Luciana conta que ela, em conjunto com outras professoras e com a estudante bolsista do projeto, buscam escolher livros que tenham linguagem acessível e que também possam ser adquiridos facilmente. “Existem indicações de leitura feitas pela Escola Penitenciária, mas são leituras mais canônicas, mais clássicas. São textos que consideramos que não são adequados, não pela qualidade, mas por não se adequarem ao que se pretende com o projeto”, afirma. 


Antes da pandemia de Covid-19, o projeto atuava por meio de encontros semanais com dois grupos de 10 pessoas, um de mulheres e um de homens. Na semana anterior, eram indicados aos apenados os capítulos do livro que deveriam ser lidos, bem como as perguntas que serviriam de guia para o debate posterior da leitura. As perguntas também serviam para preparar o relatório de leitura, necessário para a remição de pena. 


“Acabamos recebendo doações e usamos os livros doados. Outros livros escolhemos, mas a partir de um financiamento pessoal. A escolha depende da obtenção da obra e também que a obra possa permitir o diálogo com os participantes”, cita Luciana Iost Vinhas. Entre os livros recebidos pelo projeto estão “O Papai é Pop” de Marcos Piangers, e “Mais Que Dois” de Juliana Vinhas - uma obra sobre a inclusão de filhos com altas habilidades e com Síndrome de Down.


Os participantes do projeto também indicaram leituras. “Na Minha Pele” de Lázaro Ramos foi uma demanda dos homens presos, de maioria negra. A obra apresenta pequenas crônicas sobre a vida do ator, que abordam temas como o racismo. “Olhos D'água”, de Conceição Evaristo, também dialogou bastante com as mulheres negras. 


Depois da Covid

Desde o início da pandemia, o projeto não realizou mais atividades presenciais no Presídio, mas segue ativo. Durante o Calendário Alternativo da UFPel, foi realizado um curso online para os licenciandos de Letras sobre o trabalho em educação dentro da penitenciária. Agora, no atual calendário letivo, está acontecendo um grupo de estudos sobre questões penitenciárias.


Segundo a coordenadora de projeto, a ideia é manter o projeto e retomar as atividades presenciais no Presídio quando possível. “O projeto está criando um vínculo entre a UFPel e o Presídio, o que não existia. O Presídio pode ser um local de estágio para alunos de licenciatura, para produzir efeitos positivos tanto para os apenados quanto para os estudantes. Por que isso não foi feito antes, em 50 anos de universidade?”, questiona Luciana.


“Atuamos junto a pessoas privadas de liberdade, de dignidade, de acesso à saúde, à educação e à alimentação. Por isso a universidade pública é importante. A nossa força de trabalho, através de nossa carga horária docente, é o que possibilita esse projeto. A extensão universitária é fundamental para fazer essa ligação entre comunidade e universidade. É uma via de mão dupla que deve ser fomentada e garantida”, conclui a docente da UFPel. 


Matéria originalmente publicada no Jornal Voz Docente


Assessoria ADUFPel com imagem de Luciana Vinhas

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