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Defender a UFPel é defender Pelotas e região, avalia reitor Pedro Hallal

As universidades e institutos federais têm um importante impacto no desenvolvimento do país. Com os cortes orçamentários impostos pelo governo federal, os prejuízos para a economia, para a saúde e diversas outras áreas vêm sendo apontados pela comunidade acadêmica. Uma articulação entre diversos segmentos também ganha corpo, a fim de que haja uma reversão do bloqueio de verbas. Para o reitor da UFPel, Pedro Hallal, caso não o corte não seja revisto, Pelotas e região perderão grande parte do seu sustento.


Em entrevista à ADUFPel-SSind, Hallal afirmou que a ação dos cortes, por parte do governo federal não tem qualquer justificativa, sendo uma decisão equivocada e motivada estritamente por motivos político e ideológicos, e não econômicos. O reitor também evidencia que existe um ataque deliberado às universidades, realizado por pessoas que desconhecem a realidade das instituições de ensino. “Eu só tenho a lamentar que um ministério tão importante no país, como é o Ministério da Educação, esteja completamente sem rumo, nas mãos de pessoas que não entendem absolutamente nada de educação”, pontua. Confira alguns dos pontos tratados na entrevista:


Ações do MEC

Em relação às ações e às declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, Pedro Hallal diz que fazem parte de uma situação desesperadora, pois denotam o quanto o Ministério está sem rumo. No caso da afirmação de que as universidades fazem ‘balbúrdia”, Hallal frisa que convidou o ministro para conhecer a realidade da UFPel onde, assim como nas outras universidades, além das aulas, ocorrem atividades de pesquisa, extensão, assistência à saúde.


Além disso, o reitor avalia que outros ataques, como aqueles contra os cursos das Ciências Humanas, fazem parte de uma estratégia de comunicação que busca desviar o foco da gravidade dos cortes orçamentários. “Esses tipos de declarações toscas e até grosseiras, me parece que são colocadas para tirar a atenção das pautas principais”, avalia.


Impactos do corte

Na UFPel, foram cortados R$21,5 milhões do orçamento de custeio e R$7 milhões do orçamento de capital, o que significa que a instituição conseguirá pagar as contas apenas até agosto. Se não houver uma revisão da medida, não será possível manter a Universidade aberta. “Caso não seja revertido esse bloqueio, ela [a UFPel] vai ficar sem as condições mínimas de funcionar. Não vai ter luz, e sem luz não tem internet. Sem limpeza, sem vigilância, também não funciona. Então a situação é bastante preocupante”, salienta Hallal.


Os impactos abrangeriam toda a região. A UFPel, hoje, possui 593 trabalhadores terceirizados que seriam levados ao desemprego. Além disso, na área da saúde, a instituição administra o único hospital 100% SUS da cidade e quatro Unidades Básicas de Saúde. Ainda, é apoio no tratamento do vírus HIV e no acompanhamento do autismo e da Síndrome de Down, entre outras condições e doenças. Já na questão econômica, Hallal explica que a UFPel injeta cerca de R$600 milhões por ano na economia local. “A cidade de Pelotas e região não se sustentam sem a UFPel”, avalia.


Chantagem em torno da PEC 6/2019

Recentemente, declarações do governo federal ponderam que os cortes poderiam ser revistos caso a Reforma da Previdência, apresentada através da Proposta de Emenda à Constituição 6/2019, fosse aprovada. Essa ação é classificada por Pedro Hallal como uma chantagem explícita. Para ele, na gestão pública não cabe chantagem, e sim seriedade para se tratar das decisões. “Usar chantagem me parece, inclusive, falta de argumento para aprovar a reforma. Para mim, quanto começa a usar chantagem, é que talvez teus argumentos não sejam tão bons”, pontua.


Pós-graduação

Os cortes do governo também tiveram como alvo bolsas de pós-graduação das universidades. Na UFPel, 19 foram cortadas. A medida, assim como o bloqueio orçamentário de 30%, não foi comunicada anteriormente aos reitores, tampouco dialogada. “É um ministério que não dialoga com os reitores, nem conversa conosco”, diz Hallal. Essa decisão é também criticada pelo reitor da UFPel. “O que vai acontecer é que nós vamos perder a capacidade de captar bons estudantes, estudantes que se dedicam integralmente aos nossos programas de pós-graduação e vamos desqualificar e mais uma vez prejudicar a ciência e a tecnologia, que são uma mola propulsora do desenvolvimento em qualquer país do mundo”.



Crise

Pedro Hallal também afirmou, na entrevista, que o Brasil está na contramão do que os países em crises fazem. “O Brasil quer fazer uma coisa inédita, jamais vista na história da humanidade. Ele quer sair da crise, se desenvolver retirando dinheiro da ciência, tecnologia e educação”.


Além disso, ele pontua que, há dois anos, o governo Temer afirmava que a PEC 241 (hoje EC 95, que congelou por 20 anos os investimentos em áreas como a educação e saúde) era fundamental para o país sair da crise. Ela foi aprovada e o país não saiu. Hoje, o governo Bolsonaro diz que a Reforma da Previdência é necessária, e joga com o orçamento das universidades para tentar aprová-la. Para o reitor, é preciso frisar que esse dinheiro “economizado” é direcionado para o sistema financeiro. “Enquanto o Brasil decidir financiar os bancos ao invés vez de financiar a população, não vai crescer e não vai evoluir”, explica.


Mobilização

A reversão dos cortes, para Pedro Hallal, envolve tanto uma mobilização política quanto social. O reitor da UFPel diz que o posicionamento de políticos, como o da prefeita de Pelotas, do prefeito do Capão do Leão, de vereadores, dos deputados estaduais e federais são importantes. "Nossa ideia é mobilizar as forças políticas, de qualquer que seja o lado, porque nesse caso não nos interessa saber em quem a pessoa votou, em quem irá votar, o que nós estamos interessados é em quem é favor da educação no país e quem não é"diz.


Além disso, Hallal cita a mobilização estudantil e os atos programados para o dia 15, dia da Greve Nacional da Educação, como estratégias fundamentais para que a população mostre seu descontentamento em relação a essa política de ataque à educação. “Esse projeto de desmonte da educação pública brasileira muito provavelmente não prosperará porque nenhum projeto consegue prosperar quando a população é radicalmente contrária”, aponta.


Assessoria ADUFPel

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