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Marielle é semente de resistência

Hoje, 14 de março, completa-se um ano do assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes. Vereadora e ativista pelos direitos humanos, Marielle saía de um evento, no Rio de Janeiro (RJ), em carro conduzido pelo motorista Anderson, quando sofreu atentado a tiros. Um ex-Policial Militar (PM) e um PM reformado foram presos pela execução do crime, mas ainda fica a pergunta: quem mandou matar?


Marielle Franco era vereadora na cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) quando foi executada. Atuante pelos direitos humanos desde adolescente, nasceu na favela da Maré, formou-se em Sociologia pela PUC e fez mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF). As pautas que Marielle defendia diziam respeito principalmente a grupos marginalizados, como mulheres, LGBTs, pobres e negras/os. Crítica da intervenção militar no Rio de Janeiro, a parlamentar, em 15 meses de Câmara, redigiu 16 projetos de lei, dos quais sete foram aprovados - cinco após sua morte.


A investigação

A investigação pelos homicídios foi intensamente cobrada por ativistas, militância e órgãos ligados à defesa dos direitos humanos. Em 12 de março, dois dias antes do crime completar um ano, foram realizadas as prisões de Ronnie Lessa, que efetuou os 13 disparos responsáveis pela morte de Marielle e Anderson, e de Élcio de Queiroz, que dirigia o carro que perseguiu a vereadora.


Até o momento, a apuração dos crimes aponta que a motivação centrou-se no repúdio às pautas que Marielle defendia. Familiares da vereadora e do motorista cobram, agora, que seja apurado quem encomendou o crime. Em relação à motivação, o que se sabe até agora é que Lessa, responsável pelos disparos, de acordo com a promotora responsável pelo caso, demonstra “perfil absolutamente reativo a essas pessoas que se dedicam às causas das minorias". O PM reformado, que vivia no mesmo condomínio do presidente, Jair Bolsonaro, ainda, é investigado por outras contravenções.


Atos cobram mais respostas

O dia de hoje, além de ficar marcado pelo luto decorrente da morte de uma incansável batalhadora pelos direitos das minorias, está sendo assinalado pela cobrança de mais respostas. Atos ocorrem no Brasil inteiro, demonstrando que familiares, amigos e companheiros de ativismo não descansarão até que o crime seja solucionado. Em Pelotas, também haverá manifestação, prevista para às 17h30, no chafariz do Calçadão.


Assassinatos políticos

Nas Américas, o Brasil é o país mais perigoso para ativistas, de acordo com a Anistia Internacional. Em 2017, 75% dos homicídios ocorridos nas Américas do Sul, Central e do Norte concentraram-se no país. No mesmo ano, dos 207 assassinatos registrados ao longo do mundo, 57 ocorreram só no Brasil.


A morte de Marielle, portanto, ocorre em um contexto que criminaliza as lutas sociais, representando a violação dos direitos democráticos. Mas, é emblemática pois representa a investida pelo extermínio daquelas que são alvos da violência sistemática do Estado: mulheres negras, LGBTs e de origem pobre.


Marielle vive

Marielle deixou como semente, além do ativismo pelos direitos humanos, a luta pela representatividade de mulheres negras na política. Apesar de mais da metade da população brasileira ser constituída por mulheres, e 27% por mulheres negras, o número de cargos ocupados por elas na política ainda é desproporcional. No entanto, a última eleição registrou um pequeno avanço. Em 2018, houve um aumento de 26 deputadas federais e 42 deputadas estaduais em relação a 2014, entre elas foi eleita a primeira indígena e a primeira mulher transgênero. Na Câmara de Deputados, as mulheres negras passaram de dez para 13. Ao silenciar uma voz, outras se insurgem.


LGBTs, mulheres, negras, negros e pobres inspiram-se na luta de Marielle para resistir em um país que mata e viola minorias diariamente. Para quem acredita na justiça social, os heróis, conforme afirmou o samba-enredo da Mangueira, não são aqueles emoldurados, mas as “Marias, Mahins, Marielles, malês”.


Assessoria ADUFPel

Com informações de Estadão, BBC, Piauí e Exame


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