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Notí­cia

Projeto na UFPel melhora a qualidade de vida de mulheres que tiveram câncer de mama

Em 2015, aos 32 anos, a professora da Escola de Educação Física (ESEF) da UFPel, Stephanie Santana Pinto, foi diagnosticada com câncer de mama. A partir desse momento, além de encarar as etapas do tratamento, a docente começou a pensar de que forma as atividades físicas poderiam ajudar mulheres que passavam pela mesma situação. Em 2017, como resultado das pesquisas e da experiência pessoal de Stephanie, surgiu o projeto de extensão Exercise Research in Cancer (ERICA), que propicia treinamento físico a mulheres que já finalizaram o tratamento primário para o câncer de mama.


No Brasil, o câncer de mama é o que mais afeta mulheres, além de ser um dos três tipos de cânceres com maior incidência no mundo, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). Na região Sul do país, os índices são ainda maiores, e o Rio Grande do Sul é o estado em que mais mulheres são diagnosticadas. A jornada de tratamento contra o câncer, geralmente, é longa e difícil. Devido aos efeitos colaterais, é comum também que os ciclos de quimioterapia ou radioterapia tenham que ser adiados. A prática de exercícios, conforme aponta Stephanie, foi fundamental que para isso não ocorresse em seu caso. “Era incrível a recuperação, quanto mais eu me exercitava, melhor eu ficava. O exercício foi muito importante, até mesmo para questões relacionadas à ansiedade”, afirma a professora, que é sindicalizada da ADUFPel-SSind.


Os exercícios físicos, além de auxiliarem no combate aos efeitos colaterais, como a fadiga e os danos ao sistema imunológico, também estão relacionados à prevenção do câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), práticas regulares de atividades físicas são um dos componentes (junto a alimentação saudável, não fumar, ter o peso corporal adequado, não ingerir bebidas alcoólicas e evitar uso de hormônios sintéticos em altas doses) que podem reduzir em até 28% a estimativa de câncer de mama. 


Percurso do projeto

A ideia do projeto partiu da pesquisa de uma orientanda de mestrado da professora, Elisa Portella, que analisou o impacto de atividades físicas nas mulheres sobreviventes do câncer. Com o protocolo de exercícios da pesquisa chegando ao fim, em 2016, Stephanie conta que era um incômodo pensar que essas mulheres não teriam mais oportunidade de praticar as atividades. Com a motivação de oportunizar a continuidade dos treinos, o projeto de extensão foi criado.  Para ela, criar o ERICA faz parte de um compromisso social, que dá um sentido humano à pesquisa. “Tem coisas que a pesquisa quantitativa não capta. É um significado muito maior a inserção delas no projeto”, avalia.


Hoje são 11 mulheres no projeto. Elas realizam exercícios combinados duas vezes por semana e já sentem uma melhora na qualidade de vida. As atividades combinadas, segundo Stephanie, unem o componente de força, para melhorar o sistema músculo esquelético, e o componente aeróbico, para melhorar a capacidade cardiorespiratória. “Esses dois componentes são muito afetados durante o tratamento”, explica.


As melhorias na qualidade de vida e os elogios ao projeto são assinalados por Tomásia Pereira da Rosa (foto), 63 anos, que participa desde o início do ERICA. “Antes de começar os exercícios aqui, até para levantar do sofá precisava pedir ajuda. Aí fazendo os exercícios melhora a circulação, a parte motora, a parte respiratória. Influencia em tudo”. Para ela, participar do projeto também propicia uma inserção social, na medida em que podem partilhar experiências durante as práticas e se sentem valorizadas.


Joana Parquer, 72 anos, reforça os benefícios das atividades. “Quando eu fui diagnosticada com câncer de mama eu quase perdi o chão”, conta. Antes do diagnóstico, diz, era sedentária e sentia cansaç com frequência. Hoje, está no terceiro ano de atividades físicas regulares no projeto. “Depois dos exercícios, melhorei 100%. A minha vida está bem mais confortável do que era antes. Esse projeto é uma força que empurra a gente para a frente”. 


A aluna de graduação em Educação Física, Esther Meireles, é uma das bolsistas que orienta as atividades físicas. “É gratificante ver os resultados, as mudanças que a gente traz na vida delas, principalmente trazendo maior qualidade de vida”, pontua.