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Vitória: Pressão universitária impede que conselheiros da Ufsm elejam ‘interventores’

Após intensa mobilização da comunidade acadêmica da Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm), a sessão dos Conselhos Universitários definiu, nesta quarta-feira (28), a lista tríplice que será encaminhada ao Ministério da Educação com os três nomes mais votados para ocuparem o posto de reitor ou reitora da instituição nos próximos quatro anos. A lista será enviada, na quinta (29), ao governo federal, o qual tem até o dia 28 de dezembro para fazer a nomeação do próximo gestor ou gestora da Ufsm.

O resultado da votação dos Conselhos, que se efetivou de forma eletrônica e anônima, seguiu da seguinte maneira: 1º Luciano Schuch (42 votos); 2º Martha Adaime (32 votos); 3º Cristina Nogueira (29 votos). O candidato Rogério Koff, também inscrito ao cargo de reitor, e que não participou da consulta à comunidade acadêmica, obteve 17 votos, não entrando, assim, na lista tríplice. O processo registrou um voto nulo.

A possibilidade de um retrocesso na autonomia da universidade, com a imposição de um nome para a reitoria alinhado com o governo de Jair Bolsonaro, foi objeto de mobilização e protesto nas últimas semanas na Ufsm. As entidades representativas defenderam que as candidaturas que não debateram suas propostas com a comunidade, e não se colocaram sob seu aval na etapa da pesquisa, não poderiam ser eleitas para a lista tríplice.

No dia 19 de julho, a diretoria da Seção Sindical dos Docentes da Ufsm (Sedufsm – Sec. Sind. do ANDES-SN) e o Conselho de Representantes da seção sindical divulgaram uma nota de repúdio às candidaturas que não participaram do debate com a comunidade. No dia 23, diversas entidades lançaram um abaixo-assinado contra a intervenção na reitoria da instituição, junto com uma carta aberta. Já nessa terça-feira (27), um dia antes da reunião dos conselhos, docentes, estudantes e técnicos e técnicas da universidade realizaram um ato público, em frente ao prédio da reitoria, contra a possibilidade de intervenção na escolha dos nomes que comporão a lista tríplice a ser enviada ao governo federal.

Neila Baldi, diretora da Sedufsm SSind. e integrante do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), destacou que, ao votarem a lista tríplice, os conselheiros e conselheiras respeitaram a vontade da comunidade acadêmica, expressa no resultado da pesquisa de opinião eletrônica realizada em 24 de junho.

“O processo eleitoral não foi o que defendemos: paritário, muito menos foi construído com muitas vozes, democraticamente, mas ainda assim ouviu a comunidade. Por isso, a pesquisa de opinião tinha que ser referendada pelos conselhos. O que aconteceu na Ufsm, com inscrição de candidatos sem terem passado pelo debate com a comunidade, deve servir de alerta a todos e todas”, disse.

“Que possamos, em um futuro breve, mudar a legislação e permitir que toda a comunidade acadêmica decida, de fato, quem assume a reitoria e não apenas os conselheiros e as conselheiras”, acrescenta Baldi. A diretora da Sedufsm SSind. chamou, também, atenção para o fato da lista tríplice ser composta por duas professoras, embora a Ufsm nunca tenha sido gerida por uma mulher.  “Isso é bastante significativo”, completa.

Ataque à autonomia

Antes da definição da lista tríplice em reunião ampliada, o pleito consistiu em uma pesquisa de opinião eletrônica, realizada no dia 24 de junho, da qual participaram docentes, estudantes, técnicos e técnicas em Educação. Inscreveram-se para a pesquisa o professor Luciano Schuch, e as professoras Cristina Nogueira e Martha Adaime. Com 55,41% dos votos, Schuch foi o mais votado pela comunidade. Contudo, quando abriram as inscrições para a eleição nos Conselhos Superiores, além das três candidaturas já presentes na pesquisa, foram acrescidas mais duas, que não haviam sido apresentadas anteriormente à comunidade: os professores Rogério Ferrer Koff (inscrito ao cargo de reitor) e Genesio Mario da Rosa (inscrito ao cargo de vice-reitor).

Até então, os membros dos Conselhos Superiores sempre votaram de acordo com a vontade expressa pela comunidade na consulta. Ocorre que esse comportamento de respeito à democracia não era obrigatório, visto que não existe qualquer vinculação formal entre a consulta e o voto dos conselheiros e das conselheiras.

Fonte: Sedufsm Ssind., com edição do ANDES-SN

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